sábado, 16 de agosto de 2014

Arte, saúde, Terapia e Transcendência


Arte, saúde, terapia e transcendência

“O que determina se um homem é doente ou sadio não é a intensidade da sua fantasia, mas sua habilidade ou inabilidade para transformá-la em realidade.” – Erich Neumann

Existe uma vitalidade, uma força de vida, uma energia, um despertar, que é traduzido em ação através de você, e porque só existe um de você em todos os tempos, essa expressão é única. - Martha Graham

“A arte pode elevar o homem de um estado de fragmentação a um estado de ser íntegro, total.” – Ernst Fischer

 

Pintura, escultura, desenho, dança, teatro, fotografia, filmagem, escrita, poesia, música, construção com sucatas, dentre outras são formas de expressar e fazer arte.  A arte é uma criação não prevista pois é autêntica. O artista quando cria está aberto ao novo. É uma expressão que comunica algo de dentro para o mundo.  Neste sentido a arte religa o que era antes individual a um coletivo. Ela comunica independente de cultura ou época. Um sentimento expresso, um drama, um protesto, uma paixão, uma esperança quando revelada numa arte, sensibiliza porque provoca questões e reverbera condições humanas. A criação deriva de uma experiência de realidade e toma forma. A obra de arte ecoa dentro de cada um de uma forma diferente, e porque é essencialmente humana, da criança ao idoso todos podem criar.

No momento da criação, o racional fica de lado e o caos se instala, uma indefinição ou confusão tomam conta. Se existe uma impregnação de conceitos e introjeção de valores ou metas a alcançar, como criar a sua própria obra original? A criação nasce de um sentimento ou intuição, um canal mais instintivo. Às vezes é necessária uma tensão interna para mobilizar uma energia de criação, outras vezes apenas flui. Em contato com o material plástico, o que antes era subjetivo e invisível toma forma e se materializa. É um nascimento de algo que antes não existia ou existia apenas na fantasia ou era inconsciente.

Cada arte é uma linguagem, formas de arte são uma forma de comunicação e é também uma comunicação consigo mesmo pois permite transbordar, extravazar o ser. Ela liberta, fazendo a energia antes represada fluir. Plasmar a imagem na arte, despotencializa a carga energética. Pode compensar a realidade ou  colocar uma “lente de aumento” para ver melhor. A pessoa se vê em sua obra, encontra-se no seu fazer, dando forma ao contorno, limite ao que antes era subjetivo. O que tem limite é melhor percebido, pois permite a existência das formas que trazem estruturas, ordenação. Por isso a arte diminui os surtos psicóticos em psicóticos. E em alguns casos evitam somatizações de doenças. Se algo já foi expresso pela arte não precisa encontrar no corpo o canal de expressão.

                Um artista por profissão possui o ofício mais saudável, pois a arte é orgânica, respeita os ritmos do corpo e da alma. É natural e não força a barra. Há uma renovação que é uma constante atualização de si mesmo. É recomendado então que cada trabalho mesmo que não artístico, seja feito com arte, com alma.  A arte é extensão da existência, fazer com criatividade é colocar mais vida no que você faz.

A arte cura pois é terapêutica pelo simples fazer.  A criação flui do inconsciente para o consciente tornando visíveis imagens internas. E essa capacidade de criar está intimamente ligada à nossa criança interior que é responsável pela nossa saúde mental. Quando um adulto começa a criar possui muitas críticas e julgamentos pois está preso nos conceitos de certo e errado. O que há são expressões e como tais estão todas adequadas e bem vindas. Adultos foram condicionados, adaptados e até reprimidos. Quando perdemos nossa capacidade de criar, perdemos também a capacidade de encontrar soluções, ser flexíveis e saudáveis. 

Usamos as quatro funções psicológicas para criar: a intuição traz a inspiração, o sentimento mobiliza a energia, a sensação do contato com o material permite o fazer e o pensamento ajuda a elaborar o que foi feito. É por isso que a arte é um instrumental forte na terapia. O terapeuta tem a função de mediar esse encontro da pessoa com seu inconsciente para que ela mesma encontre seu caminho, suas respostas. Na arteterapia, o terapeuta facilita esse processo criativo de construção e reencontro com o si mesmo. É possível resgatar partes negligenciadas de si mesmo como traumas e também talentos. Tornando visível o oculto, facilita o lidar e o transcender.

Uma vez que a pessoa encontra  seu canal próprio de expressão e transformação, ela pode seguir criativamente pela vida. Criando sua própria história será um artista de sua própria vida, seu próprio guia, em uma conexão divina. E porque aprendeu a se transformar, pode vir a transformar o mundo.

Sílvia Rocha – psicóloga crp:05/21756 Arteterapeuta e consteladora familiar sistêmica



 

 

 

 

 

 

 

 

 

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