quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Qual é o seu tipo?


Qual é o seu tipo?
Diário de Teresópolis, 30 de janeiro de 2014

                Pessoas diferem umas das outras em suas maneiras de pensar, sentir, agir, de se relacionar, de trabalhar, de cuidar da casa, de educar os filhos, enfim, de viver. Cada um é uma mistura singular dos quatro elementos da natureza: terra, fogo, água e ar. Na tipologia Junguiana sensação, intuição, sentimento e pensamento, respectivamente.

                A terra é o elemento que corresponde à função sensação. A orientação está nas coisas concretas, nos sentidos, no corpo, no ver, ouvir, sentir. Construir, organizar são palavras-chave. Coisas palpáveis, mensuráveis, materiais são o foco desta função. Logo, para se comprar uma casa, organizar finanças, a agenda, é necessário acionar esta função, a que sabe como as coisas funcionam.

                O fogo é o elemento mais sutil, difícil de se tocar, parece transitar entre mundos. Corresponde à intuição que é um sentido sem sentido. A intuição, ao contrário da sensação,  não se explica, não se mede. Ela se dá de uma forma inconsciente. Transcende a matéria, espiritualiza. É uma chama criativa, quem sabe, divina, que acontece no terreno do imaginário e dos sonhos. Ótimo para vislumbrar cenários futuros.

                O ar é o elemento do pensamento. É o raciocínio lógico, o julgamento, a classificação. É o que planeja e controla, vai pra trás e pra frente, para o passado e para o futuro. Estabelece procedimentos, ações preventivas, intelectualiza. Transmite conhecimento, ventila informação, sopra uma luz quando se renova.

                A água é o elemento do sentimento. Expressivo e sensível, é a função do afeto, do envolvimento. Ao contrário do pensamento, só sentimos no presente. Sabe criar um ambiente acolhedor, lida com diferenças, cria vínculos, confiança e tece redes de comunicação em grupos, integrando as pessoas.

                                Apesar de termos os quatro elementos e suas funções, uma é a função dominante e outra é a auxiliar e às vezes se revezam. As outras duas são mais inconscientes. Assim se quatro pessoas com quatro funções diferentes forem escalar o Dedo de Deus, vão ter experiências muito diferentes: O tipo sensação vai estar atento à segurança, aos equipamentos. O intuitivo vai focar mais na dimensão espiritual, no mistério. O sentimento, na relação de confiança com seu parceiro. O pensamento, vai planejar como vai voltar e como ele vai contar a experiência. Apesar de uma escalada, como a vida, envolver as quatro funções, tem sempre uma que é a mais usada, é o tipo da pessoa.

Após a metade da vida, a outra metade do círculo onde estão as outras funções menos usadas, será solicitada, cumprindo assim uma mandala completa. Então se uma pessoa conquistou até ameia idade, coisas materiais, como casa, poupanças, viagens, vai se sentir impelido à viajar em outras dimensões imateriais, como seguir um caminho espiritual numa jornada com novos valores. Se for o oposto, vai querer fincar raízes. Se o foco foi nas relações e na família, talvez queira investir nos estudos e vice-versa.

Numa família de quatro pessoas, as quatro funções podem estar presentes, enquanto um está fazendo contas para conferir se uma viagem de férias cabe no orçamento familiar, o outro já está viajando na imaginação. Um está buscando entender as questões enquanto o outro está sentindo tudo o que acontece.

                Alguns atritos surgem pela não compreensão do tipo do outro. Porque se referencia em seu tipo psicológico. Pessoas iguais podem ter afinidades e se sentirem bem umas com as outras, mas não se sentem provocadas a crescer. É difícil para um intuitivo manter uma casa bem arrumada, mas vai ter insights e soluções criativas para sair de uma crise. Um sentimental pode florir o caminho árido dos pensadores. Um pensador pode dar um limite numa explosão sentimental.  E um tipo sensação pode trazer para a realidade o devaneio do intuitivo.

O ideal é desenvolvermos as quatro funções. Assim como os quatro elementos interagem no ambiente, podemos harmonizar a natureza interna, saindo da unilateralidade dos tipos. Se cada um se permitir ser tocado pela vivência do outro, numa atitude humilde de aprendizagem, as relações podem ajudar a ampliar visões e transcender limites.

Sílvia Rocha – Psicóloga (crp:05/21756) – Arteterapeuta – silviaayani@gmail.com

                 

2 comentários:

  1. adorei seu artigo e escolhi meu tipo rsrsrs., o ar. obrigado pelo seu talento .

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